O Castelinho de Leça da Palmeira

O “Castelinho” de Leça de Filipe T. Moreira

O “Castelinho” de Leça da Palmeira, em tempos conhecido por “Miramar” foi inicialmente contruído na margem direita do rio Leça, junto à sua foz em 1870. Com a ampliação do porto, que o transformaram num verdadeiro porto comercial, o “Castelinho” foi deslocado para a praia de Leça, onde hoje ainda se situa.
Hoje é apenas uma memória de outros tempos, no entanto, quando foi construído servia para dar “senha” aos barcos de pesca que passavam à vista da costa.

“No dia 21 de Outubro de 1870, pelas 10 horas da manhã, foi inaugurado com toda a solenidade o mira-mares de Leça da Palmeira, a que assistiu a direcção da primeira comissão auxiliadora da Real Sociedade Humanitária local e várias pessoas consideradas, que para esse acto foram entretanto convidadas.
O melhoramento, que ficou a dever-se ao senhor João Pinto de Araújo e por ele custeado na íntegra, é uma obra verdadeiramente filantrópica, que honra aquele senhor e patenteia os seus generosos sentimentos.”
In “Comércio do Porto” 

“Tecnologias Emergentes – Preparem-se pais!”

No âmbito do projeto SafeWeb, dinamizado pela Probranca Ipss com apoio financeiro da Fundação “la Caixa”, irei dinamizar uma oficina sob a temática “Tecnologias Emergentes – Preparem-se pais!”.

Nesta oficina irei abordar um conjunto de tecnologias emergentes que poderão contribuir para uma alteração das “realidades” ou até (porque não?) viajar no tempo.

Para os interessados, podem assistir no Facebook, onde será transmitido em direto. Deixo aqui o endereço do evento: https://www.facebook.com/events/446747753325622/?active_tab=discussion

Até lá!

Navio encalhado no Suez – monitorização em tempo real.

Captura de ecrã do website Marine Traffic

O bloqueio do Canal de Suez devido ao acidente com o navio cargueiro Ever Given (a poucos quilómetros a norte de Suez), desde terça-feira, está a fazer tocar muitos alarmes, até porque cerca de 12% do comércio mundial passa pela região. Só em 2020 passaram cerca de 19 mil navios, facto que rende cerca de 7 mil milhões de euros em taxas de passagem.

Relativamente a mais dados sobre o impacto que o encalhamento que este navio poderá ter na economia mundial, recomendo a peça do Jornal de Notícias que está bastante completa e com referências, disponível em: https://www.jn.pt/mundo/canal-de-suez-como-um-navio-poe-em-xeque-a-economia-global-13498776.html.

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Encontro Cultura Digital e Educação na década de 20

Companheiros/as de viagem,

Nos dias 14 e 15 de maio próximo, vai-se realizar o encontro Cultura Digital e Educação na década de 20, para o qual tive o honroso gosto de ser convidado a integrar a Comissão Científica.

Este evento, que decorrerá totalmente online, é organizado por diversas instituições de Portugal e do Brasil, sendo elas:
• ESE do Instituto Politécnico de Setúbal;
• CCTIC da ESE do Instituto Politécnico de Setúbal;
• Universidade Federal de Mato Grosso do Sul;
• Universidade Católica Dom Bosco;
• E Grupo de Pesquisas e Estudos em Tecnologia Educacional e Educação a Distância – GETED.

As submissões estão abertas até ao dia 3 de abril, sendo os eixos temáticos:
• A cidadania digital;
• Políticas Públicas para Educação no enfrentamento da COVID-19;
• Formação em tempos de Pandemia;
• Práticas educativas em tempos de Pandemia.

Saliento que todos os trabalhos aceites para apresentação no Encontro serão publicados no livro de atas/anais, em formato digital. Alguns dos trabalhos poderão ser propostos para publicação, em versões estendidas, numa das revistas Medi@ções e Edutec, de acordo com as normas das respetivas revistas.

Toda a informação relativa ao evento está disponível em CDE 20 – Online, dias 14 e 15 de maio de 2021 (ips.pt)

Boa produção científica!

A maior chaminé da Europa

Chaminé de Trbovlje (fotografia retirada da Wikipedia)

A maior chaminé da Europa fica em Trbovlje (Eslovénia) e tem cerca de 360 metros de altura. Esta chaminé construída em 1976 integra o complexo da antiga central elétrica de Trbovlje, nas margens do rio Sava, desativada em 2014. A central elétrica original foi ali instalada em 1915, sendo que na década de 1960 sofreu profundas alterações e modernizações. Esta versão mais recente era composta por duas unidades, uma unidade a vapor e a outra a gás.

Relativamente à chaminé, esta foi construída apenas na década de 70 e é ainda hoje a sétima mais alta do mundo. A detentora do recorde continua a ser a chaminé da central elétrica Ekibastuz no Cazaquistão, construída na década de 1960, tem uns incríveis 419 metros de altura (http://www.gres2.kz/index.php?view=3).

Após a desativação da central elétrica de Trbovlje (em 2014), os escaladores Domen Škofic e Janja Garnbret (considerados os melhores escaladores do mundo) tiveram a ideia de ali criar a mais longa rota de escalada artificial do mundo. No final de 2020 conseguiram realizar esse sonho, contando com o apoio da Red Bull. O processo de criação da rota de escalada culminou com a realização de um pequeno documentário, que pode ser visto aqui: https://www.redbull.com/gb-en/climbing-europes-tallest-chimney-trbovlje-slovenia.

Quando assistirem às imagens da escalada, os fãs de Dragon Ball vão, certamente, lembrar-se da aventura de Son Goku na escalada da torre Korin. Bem, talvez no cimo da chaminé de Trbovlje não haja feijões mágicos, mas a sensação não há de ser muito diferente.

A Revolução Portugueza – O 31 de janeiro (livro de 1912)

Andava em pesquisa sobre o 31 de janeiro de 1891 e acabei por encontrar o livro “A Revolução Portugueza – O 31 de janeiro” de Jorge d’Abreu (1878-1932), publicado em 1912, cuja leitura recomendo. Tratando-se de um livro publicado em 1912 está já “aberto” pelo que está disponível em várias plataformas, deixo aqui o acesso ao mesmo na plataforma do projeto Gutenberg – https://www.gutenberg.org/files/29484/29484-h/29484-h.htm.

O autor (Jorge d’Abreu) foi um jornalista que se identificava com a causa Republicana, podem consultar a página na Wikipedia para saber um pouco mais sobre o mesmo: https://pt.wikipedia.org/wiki/Jorge_de_Abreu. Alem deste livro publicou dois anos antes da sua morte o “Bohemias Jornalisticas”[1].

No entanto, o que me fez avançar com a leitura desta descoberta do acaso foi precisamente a forma como o autor decidiu começar a sua obra. Ou seja, com a referência das palavras que um soldado envolvido na revolta proferiu ao presidente do tribunal de guerra, no ato do julgamento e que aqui transcrevo:

“… Eu, meu senhor, não sei o que é a Republica, mas não póde deixar de ser uma cousa santa. Nunca na egreja sentí um calafrio assim. Perdí a cabeça então, como os outros todos. Todos a perdemos. Atirámos então as barretinas ao ar. Gritámos então todos: —Viva! viva, viva a Republica!…”

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“Mais um Dia de Vida” (2018)

O filme “Mais um Dia de Vida”  (Another Day of Life) de Raúl de La Fuente e Damian Nenow, uma coprodução entre Espanha e Polónia, é uma adaptação ao cinema  do livro homónimo do polaco Ryszard Kapuscinski (1932 – 2007). Esta adaptação de cerca de 80 minutos tem várias características interessantes, uma é que é composta por 60 minutos de filme em animação e 20 de imagens de arquivos ou entrevistas a protagonistas do filme, dos quais se destaca Farrusco que abordarei mais à frente neste texto.

Imagem do Filme “Mais um Dia de Vida”

Ryszard Kapuscinski, ou Ricardo como era conhecido em Luanda, foi um jornalista polaco, considerado um dos maiores repórteres de guerra do século XX, apesar da controvérsia que envolve a sua obra, caracterizada por muitos como jornalismo literário ou realismo mágico. Porém, ao longo da sua vida publicou diversos livros (estando os mais relevantes traduzidos e publicados em Portugal) dos quais o mais conhecido será o “Imperador”.

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Tráfico e exploração de crianças em crescendo (opinião)

(Opinião publicada orginalmente no Diário da Feira, em 21 de janeiro de 2021. Disponível aqui: https://diariodafeira.com/?p=51761)

Apesar da reduzida atenção dada pelos média nacional à temática do tráfico de crianças, esta continua a ser uma realidade à escala global, que infelizmente está em crescendo, e da qual Portugal parece não estar livre.

Como se pode compreender, os valores reais do tráfico humano são difíceis de se obter com precisão e estão constantemente em atualização, à medida que surgem novos dados.  No entanto, basta-nos os números conhecidos para termos uma ideia deste flagelo verdadeiramente assustador. Em menos de uma década este número quase duplicou.

Os dados conhecidos indicam que em 2012 cerca de 20,9 milhões de pessoas foram vítimas de tráfico, ou seja, quase duas vezes a população de Portugal. Desde então, verifica-se um aumento dos números, apontando os mais recentes para cerca de 40,3 milhões de vítimas à escala global.

Mas quem são estes 40,3 milhões de humanos? A esta questão a Organização Internacional do Trabalho (agência da ONU que reúne empregadores, trabalhadores e governos de 187 estados-membros) responde com o seu último relatório e que passarei a apresentar de forma resumida neste artigo.

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O breve “soviete” português – 18 de janeiro de 1934

“Marinha Grande é um nome escrito a ouro na história do movimento operário português.
Melhor se pode dizer: escrito com lágrimas e sangue”
Álvaro Cunhal

NE25ABRIL: A Revolta da Marinha Grande... 80 anos depois
Autoridades na Marinha Grande para reprimir a revolta de 1934

No início de 1934, entra em vigor uma Lei que vem pôr fim aos sindicatos livres, que seriam substituídos pelos sindicatos corporativos, típicos do salazarismo, onde o patronato dominava. Face a isto, os sindicatos resistentes convocam uma greve geral para 18 de janeiro uma greve geral, cujo objetivo maior seria derrubar o ditador Salazar.

Com exceções na Marinha Grande, no Barreiro e em Silves, a greve não conseguiu suscitar uma adesão significativa e saíram por isso, goradas as expetativas dos envolvidos. A repressão foi brutal, mesmo apesar da moderação relatada dos grevistas e sindicalistas. Pouco depois, viriam a ser condenados sumariamente, sendo que viriam mesmo a ser deportados para o campo de concentração do Tarrafal, na Ilha de Santiago em Cabo Verde (conhecido também como o “Campo da Morte Lenta” e que estes operários que iriam estrear).

Todavia, esta derrota dos sindicatos livres e dos trabalhadores viria a ganhar uma dimensão heroica e mítica. Não se pode ignorar que à data as ditaduras fascistas se estavam a consolidar na Europa e que em Portugal a Constituição do Estado Novo tinha sido aprovada em referendo onde quem quisesse votar contra teria de escrever “não” no boletim de voto e onde os votos brancos e a abstenção foram tidos como sendo a favor.

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